Balanço da Texfair Home 2011

Vista dos corredores da Texfair Home

Ivo Chicuta

A Texfair Home 2011 – Feira Internacional de Produtos Têxteis para o Lar terminou na ultima 6ª feira (25/02), em Blumenau, refletindo o entusiasmo dos expositores pelos bons negócios realizados durante os 4 dias do evento. Esta edição, que reuniu mais de 300 marcas, incluindo as principais empresas lançadoras de tendências do setor, marca uma nova fase da feira que, a partir de agora, terá uma versão voltada, exclusivamente, para confeccionados direcionados para o lar, além de tapetes, cortinas e decoração.

Segundo Ulrich Kuhn, Presidente do Sintex – Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau, “Esta 1º edição da nova fase da Texfair Home superou todas as nossas expectativas em relação ao volume e qualificação dos visitantes, como também no quesito negócios realizados ou prospectados. Em um momento delicado da indústria têxtil nacional, que antevê dificuldades mediante a crise do algodão e as restrições adotadas pela Argentina, os expositores se anteciparam ao apostar em produtos com alto valor agregado que estimulam o desejo de compra do consumidor. Por sua vez, o varejo também se mostra bastante maduro e confiante na manutenção, ou mesmo crescimento, da forte demanda interna. Antes mesmo do final da feira, diversos expositores, assim como novas empresas, já nos procuraram para garantir sua participação na próxima edição da feira.” Segundo Kuhn, a data da próxima edição da Texfair Home, definida após consultas às bases empresarias, foi definida para o período de 6 a 9 de março de 2012.

A Altenburg, especializada na produção de enxovais para quartos, estima que a participação na feira deva responder por uma média de 30% do volume total comercializado anualmente pela empresa. Além da abertura de novos clientes em praças importantes no Estado de São Paulo e Nordeste, a Altenburg também fechou negócios com países do Mercosul. A Artex, marca do Grupo Coteminas, tradicional fabricante de cama, mesa e banho considerou “altamente qualificados” os compradores presentes, confirmando a abertura de novos clientes no mercado interno.

Considerando “excelente” esta edição da Texfair Home, a Branyl, que apresentou nova coleção de tecidos para decoração e cortinas, ampliou sua carteira de clientes com novos lojistas de, praticamente, todos os Estados brasileiros, além de estabelecer novas parcerias no Paraguai, Colômbia, Equador e Chile. Segundo a empresa, a participação na feira deverá responder por um aumento de produção da ordem de 20%. Produtora de mantas para sofás, cortinas e almofadas a Anatex avaliou esta edição da Texfair Home como “muito boa” e destacou a qualificação dos compradores, conquistando novos clientes de todas as regiões brasileiras. Segundo a empresa, a participação na feira irá refletir em um aumento de 10% no volume de produção previsto para este ano.

Também extremamente satisfeita com os resultados obtidos nesta edição, a fabricante de cortinas Bella Janela comercializou durante o evento o equivalente a 1 mês de produção, além de incluir em seu portfólio clientes de diversos Estados brasileiros. Produtora de artigos para cama, mesa e banho, a Têxtil Guerreiro comercializou 3 meses de produção durante a feira, estimando que 10% do volume total comercializado durante o ano será gerado devido à participação na Texfair Home. A participação na feira também ira provocar um aumento de 10% na produção prevista para este ano.

A Camesa, que desenvolve artigos para quarto e cozinha, prevê que a participação na feira contribua com 5% de seu volume anual, destacando a conquista de vários clientes, principalmente da região sul do país, além de lojistas da Argentina e Alemanha. Fabricante de cobertores, carpetes e pelúcias, a Etrúria também agregou à sua carteira novos clientes dos Estados da Bahia e Goiás, além de ampliar sua participação na América do Sul comercializando artigos para a Argentina e Bolívia. Segundo a empresa, a excelente qualificação dos compradores presentes foi um dos destaques desta edição da Texfair Home.

Outro expositor que destacou o alto nível dos visitantes da feira foi a Sisa – Sergipe Industrial, tradicional fabricante de itens para cama, mesa e banho. A empresa, que conquistou novos clientes no Brasil e exterior, pretende aumentar em 10% seu volume de produção por conta da participação na feira. Direcionando sua produção de cama, mesa e banho para o segmento infanto-juvenil, a Incomfral abriu novas praças de comercialização nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná, estimando um aumento de 10% em sua linha de produção para atender esta demanda.

Estreando no evento, a paranaense Kamamya considerou esta edição da Texfair Home “excelente”, estimando que sua participação irá responder por até 30% do volume total a ser faturado neste ano. Novos clientes dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo também contribuirão para um aumento de 50% na produção da empresa. Outra fabricante do segmento de cama, mesa e banho, a Têxtil Guerreiro avaliou como “muito boa” esta edição da feira, onde comercializou o equivalente a 3 meses de produção e conquistou clientes de todas as regiões brasileiras e também da China. Como resultado da participação, a empresa estima aumentar em 10% sua produção até o final do ano.

A ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, através do projeto Tex Brasil, trouxe para esta edição da Texfair Home um grupo de compradores estrangeiros de mercados com alto potencial de consumo como França, México, Polônia e Panamá.

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Varejo brasileiro movimenta a economia do setor têxtil para o lar

Estande da Buettner

O Brasil sediou essa semana a maior feira sul americana de do setor têxtil para o lar, a Texfair Home. Lojistas e compradores profissionais do varejo nacional se dirigiram a Blumenau para conferir as novidades do setor e fazer pedidos para o semestre, em especial para o Dia das Mães, próxima grande data para o comércio. A feira é promovida anualmente pelo Sintex, Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau, há 12 anos, mas pela primeira vez abriga apenas os artigos para o lar. Uma outra edição, batizada de Texfair Fashion, será realizada em junho, para abrigar a malharia e demais seguimentos da moda.

O diretor do Sintex, Renato Valim, explica a seguimentação da feira. “Até o ano passado, ainda com a denominação Texfair do Brasil, o evento dividia sua área entre têxteis para o lar e setor de vestuário. Além de resgatar e investir na genuína vocação da nossa região, que lidera a produção brasileira de têxteis para o lar, atendemos uma antiga reivindicação de nossos expositores e compradores para uma melhor adequação do calendário de apresentação dos lançamentos e direcionamos nossos esforços exclusivamente para o incremento dos negócios relacionados à cama, mesa, banho, cortinas e tapetes”, informa o executivo. Nessa semana, 17 compradores e lojistas do DF e 36 de Goiás estiveram presentes na feira.

Santa Catarina é o segundo maior pólo têxtil do Brasil e todos os segmentos têxteis estão presentes no Estado. As 4,2 mil indústrias instaladas em SC representam 14% do total nacional e juntas respondem por 18% do pessoal ocupado na cadeia têxtil brasileira. O estado agrupa 17,8% do total brasileiro de empregados na cadeia têxtil do Brasil, com 291 mil funcionários entre registrados, terceirizados, autônomos, cooperados, entre outros. O presidente do Sintex, Ulrich Kuhn, explica que a entidade tem em seu quadro as mais representativas produtoras brasileiras, daí a realização da feira em Santa Catarina.  “A proximidade que temos com os grandes produtores do setor facilita a obtenção de informações importantes sobre as demandas e necessidades do mercado”, avalia. “O novo formato, a segmentação da feira em áreas específicas e a sua realização em um período mais adequado, de junho para fevereiro, para a realização de negócios estimulou a participação de expositores formadores de opinião e também deverá registrar um volume expressivo de compradores com a real intenção de renovar seus estoques”, completa Kuhn.

A feira reuniu 300 marcas. “Esta primeira edição em novo formato superou as expectativas no volume e qualificação dos visitantes. Em um momento delicado da indústria têxtil nacional, os expositores se anteciparam ao apostar em produtos com alto valor agregado que estimulam o desejo de compra do consumidor”, avalia Ulrich Kuhn. A data da próxima Texfair Home ficou decidida para 6 a 9 de março de 2012. Grandes empresas do setor avaliaram que o movimento da feira corresponde a 30% do volume total comercializado por elas no ano.

Produção têxtil

De 2007 a 2009, a produção nacional de artigos confeccionados, em volumes de peças, cresceu 9,7%. Os artigos da linha lar tiveram o crescimento mais alto: 15,4%. Já artigos técnicos e industriais tiveram um aumento de 10,9% na produção. No vestuário, a alta foi de 8,3%. Dentro deste cenário, Santa Catarina se destaca. Mais de um terço da produção brasileira de tecidos de malhas e 25% da produção de têxteis para o lar são feitos em território catarinense. O estado também registra participação de 21% na produção nacional de produtos manufaturados têxteis e 16,5% da produção de artigos confeccionados, de acordo com dados de 2009.

O setor confeccionista brasileiro movimentou R$ 88,6 bilhões em 2009, com base nos preços médios de fábrica. Os segmentos de têxteis básicos (fios, tecidos planos e de malha) movimentaram R$ 40 bilhões no mesmo período. Em SC, o valor da produção em 2009 foi de R$ 7,9 bilhões nos têxteis básicos e R$ 15,1 bilhões nos artigos confeccionados. Os valores representam 19,8% do total nacional em têxteis básicos e 17,1% dos confeccionados.

Crise do algodão e o Brasil

Esta edição da Texfair Home 2011 se caracteriza por ser o primeiro encontro do setor, pós-crise do algodão, que possibilitou uma melhor avaliação sobre o caso.  “No 1º dia da feira os stands e corredores estavam cheios e podemos perceber que esta crise é um processo que mistura realidade e ações especulativas. Sem dúvida, este problema refletirá no custo final dos produtos e mesmo com a regularização do fornecimento entraremos em um novo patamar de preços. Não vamos ter mais algodão barato mesmo com a safra recorde, mas precisamos manter o produto vivo e rentável e, para isso, precisamos criar mecanismos competitivos”, afirma Ulrich Kuhn.

Segundo Kuhn, a crise do algodão é um problema que afetou todos os grandes consumidores mundiais em momentos diferentes. “A partir de 2006, começou uma queda gradativa de safra e os estoques reguladores começaram a diminuir chegando a um ponto nevrálgico. Mesmo com o aumento físico das safras e a estabilização dos estoques reguladores a indústria mundial, e também a brasileira, terá que se readequar a um novo cenário”. Para Kuhn, ações como aumento dos limites de financiamento, desoneração fiscal e a criação de linhas de financiamento para compras futuras são ações que poderão incrementar as retomada dos negócios e o crescimento do setor.

Fernando Pimentel, diretor superintendente da ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, ressaltou o potencial brasileiro na produção de algodão, denominando-o de “ouro branco” e afirmando que o Brasil caminha para ocupar a 4ª posição mundial no ranking produtivo. “Atualmente, temos quantidade, qualidade e inserção global, mas temos que ficar atentos para que os produtos originários dessa matéria-prima também possam gerar riquezas. Corremos o risco de exportar demais e depois ter que importar”, alertou o executivo. Segundo Pimentel, a safra 2011 deve somar dois milhões de toneladas, praticamente o dobro do volume produzido no ano passado. Até 2015, a expectativa é alcançar uma média de 3,5 milhões de tonelada /ano.

Em relação aos têxteis para o lar (cama, mesa e banho), Pimentel destacou um projeto da ABIT, em parceria com a Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, enviado ao governo federal, que propõe que um percentual do financiamento para aquisição da casa própria possa ser direcionado para a compra de produtos para o lar. “Precisamos criar espaço dentro do financiamento para também vestir este novo lar”, completou o executivo ao justificar que o crescimento da demanda de têxteis para o lar no mercado interno também está amparado no bom desempenho do setor de construção civil. Dentre as medidas já negociadas com órgãos governamentais para minimizar os efeitos da crise do algodão, o executivo da ABIT destaca a liberação da importação de 250 mil toneladas de algodão totalmente isenta de impostos.

Para se ter uma noção, a crise reduziu em 23% a área plantada de algodão no Brasil. No mundo, outros fatores aumentaram o problema. No Paquistão uma enchente acabou com a safra. Na Rússia, estão substituindo áreas plantadas com algodão por trigo, para compensar áreas atingidas por queimadas nos últimos meses. E na China, o clima frio e úmido prejudicou a qualidade das plumas, o que também aconteceu na Índia. A previsão das grandes indústrias é um aumento de 20% nos preços de varejo com a crise.

Matéria publicada no Jornal de Brasília

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